NOTÍCIAS | Publicado em 20/09/2021 13:48:58    
Transplantes: recusa das famílias de doadores é de 70% no Estado

A recusa familiar é um dos principais motivos para que um órgão não seja doado no Brasil. Em Mato Grosso do Sul, a negativa de famílias para a doação de órgãos e tecidos de seus parentes depois da comprovação da morte encefálica comprovada chega a 70%, segundo a Central Estadual de Transplantes.

Por outro lado, ao menos 428 pessoas anseiam pelo sim das famílias, que mesmo num momento de dor, podem mudar o destino e a qualidade de vida de quem espera por um órgão. Atualmente, a fila do transplante no Estado conta com pessoas que anseiam por corações (4), rins (147) e córneas (277).

A pandemia influenciou no processo de doação e transplantes em todo País. Segundo a coordenadora estadual da Central de Transplantes, Claire Miozzo, foram inúmeros fatores que afetaram os transplantes.

“Várias vezes surgiram potenciais doadores de órgãos e tecidos, mas o resultado do teste para a Covid-19 deu positivo. Em outras ocasiões, tínhamos o doador mas não o leito disponível para realizar o transplante. Outras vezes era o receptor que estava com a doença. Tivemos alta na negativa familiar. As famílias ansiosas, e com medo da doença, negavam fazer a doação. Foram vários fatores que fizeram com que o processo fosse prejudicado”, explicou.

De janeiro a agosto deste ano foram realizados transplantes de 1 coração, 7 rins e 91 córneas. No mesmo período do ano passado foram 3 corações, 17 rins e 80 córneas.

De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 67% dos brasileiros têm o desejo de doar, mas apenas metade já avisou a família. A campanha Setembro Verde deste ano reforça a importância de se avisar a família sobre a decisão.

A espera

Pessoas que entram na fila de espera por um transplante de órgão já imaginam que levará tempo para encontrar um doador. Os obstáculos provocados pela pandemia se somam a situações que já existiam antes, como o grande número de pessoas na espera e a reduzida quantidade de doadores, além de contratempos relacionados à compatibilidade entre doador e receptor.

Como ser um doador

De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, para ser doador de órgãos e tecidos para transplante, pela legislação vigente, nenhuma declaração em vida é válida ou necessária.

Não há possibilidade de deixar em testamento, não existe cadastro de doadores de órgãos e nem são mais válidas as declarações nos documentos de identidade e carteiras de habilitação e nem as carteirinhas de doador.

Porém, a entidade reforça que discutir o assunto com os familiares também amplia a chance de o restante da família se revelar doador ou não doador de órgãos.

 

Fonte: Vox MS

Assessoria de Imprensa do Consórcio Guaicurus