NOTÍCIAS | Publicado em 27/08/2021 10:49:25    
Capital terá primeiro hospital para animais silvestres da América Latina

O primeiro hospital 100% especializado na fauna silvestre da América Latina está sendo construído em Campo Grande. Com a construção a todo o vapor no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), a unidade vai mudar a realidade do atendimento dos cerca de 2,5 mil animais que passam todos os anos por lá.

Com 34 anos de atividade, o local foi um dos primeiros Centros de Reabilitação de Animais Silvestres do Brasil, conforme explica a médica veterinária, Aline Duarte, coordenadora do CRAS.

O novo hospital encontra-se em fase adiantada de construção (Divulgação)

“O nosso objetivo é a reabilitação do animal vítima de atropelamento, tráfico e apreensão e também de entrega voluntária. O CRAS recepciona os animais de todo o Estado e, uma vez que o animal chega, recebe o atendimento veterinário, passa por uma quarentena, para depois começar o trabalho de reabilitação”, disse.

Responsável por encaminhar os animais de diversas regiões do Estado para o CRAS na capital, a Polícia Militar Ambiental (PMA) recebe apoio de voluntários no atendimento primário.

“Temos um atendimento primário e diversos veterinários do Estado que fazem voluntariamente, como Nova Andradina, onde o pessoal fez até cirurgia em uma anta para estabilizá-la antes de trazermos o animal para a Capital”, disse o tenente-coronel da Polícia Militar Ambiental (PMA) Ednilson Paulino Queiroz.

As espécies que mais chegam ao CRAS para reabilitação são de aves. Segundo a PMA, a maioria são papagaios e, em agosto, o número de animais oriundos do trafico aumenta, já que se inicia o período reprodutivo.

“Normalmente nosso problema é com o papagaio, num período de retirada que começa a partir de agosto, período reprodutivo, até o mês de dezembro”, acrescentou.

O médico veterinário e responsável técnico do CRAS, Lucas Cazati, conta que o centro recebe apoio de diversas instituições através de cooperações técnicas. Um exemplo é a parceria com a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).

“Além da troca incessante de conhecimento entre as instituições, contamos com o apoio técnico da universidade com o centro de radiologia e imagenologia, dando todo suporte aos animais vítimas de traumas automobilísticos e outros fatores. Além disso, a universidade colabora com o apoio laboratorial com realização de exames pré-cirúrgicos e de rotina. Hoje, a instituição nos auxilia com exames de alto grau de complexidade como o de microbiologia e DNA”, disse.

O hospital

Aproximadamente dez profissionais trabalham atualmente no CRAS, entre médicos, biólogos, técnicos e tratadores, número que deve aumentar quando o Hospital Veterinário de Animais Silvestres estiver pronto.

Em obras, o complexo terá 1.153,33 m² de área construída e concentrará todos os atendimentos, como triagem, exames, atendimento clínico, cirurgias e reabilitação. Orçado em R$ 3,8 milhões, o hospital ainda terá espaços administrativos, salas de cirurgia, ambientes para quarentena e laboratórios para exames.

O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária, Rodrigo Bordin Piva, destaca a importância da unidade hospitalar. “A construção da Clinica do CRAS vem ao encontro das necessidades da fauna sul-mato-grossense. Vimos nas queimadas de 2020 a importância do atendimento médico-veterinário aos animais que sofreram com a ação do fogo no Pantanal e no Cerrado em MS”, ressaltou.

 

Fonte: Vox MS

Assessoria de Imprensa do Consórcio Guaicurus